As belezas imponentes do deserto do Atacama

  • Compartilhe

“Iara, vai viajar para onde nas suas férias? Para o deserto”. Não tinha jeito. A reação era a mesma – de que eu era louca e “corajosa”. Mal sabiam eles que outros detalhezinhos extras tornariam a viagem ao deserto do Atacama, o mais árido e mais alto do mundo, realizada em outubro deste ano, ainda mais interessante.
Vou contar um pouco dessa experiência maravilhosa para vocês…

O vulcão Licancabur. localizado entre o Chile e a Bolívia, ao fundo.

O vulcão Licancabur. localizado entre o Chile e a Bolívia, ao fundo.

A ida

Para chegar ao Atacama, a opção mais viável e rápida, porém não mais barata, é ir para Santiago do Chile, fazer uma conexão e pegar outro voo para a cidade de Calama (há duas companhias que fazem o trajeto, e contam com voos regulares – a Sky Airline e a LAN), que fica a aproximadamente 100 km de São Pedro do Atacama, ponto central de exploração do deserto.

*dica: compre a passagem interna – Santiago –> Calama – diretamente no site das companhias aéreas, deixando a bandeira chilena. Só aí, você vai economizar uma quantia significativa).

Há também duas principais empresas de transfer que fazem o trajeto Calama – São Pedro: Transvip e Licancabur. Optei pela segunda, e o custo é de $12.000 (CLP) por pessoa por trecho e no caso de reservar ida e volta $20.000 (CLP)

*dica: reserve antecipadamente pelo site: http://www.translicancabur.cl/

Aeroporto de Calama

Aeroporto de Calama

São Pedro do Atacama

Eu, pessoalmente, me apaixonei por San Pedro de Atacama, carinhosamente apelidado de “San Perro de Atacama” pelos chilenos (já já eu conto o porquê). O pequeno vilarejo, a 2.400 m de altitude e com uma população de pouco mais de 2 mil habitantes tem um charme todo peculiar.

É nas ruelinhas empoeiradas, em especial a Calle Caracoles – principal rua, que ficam dezenas de hostels, agências de turismo, restaurantes, lojas de artesanato, além dos mochileiros do mundo todo e centenas de cachorros enormes (daí o apelido da cidade).

A rusticidade do local cativa. Há uma charmosa pracinha central cheia de árvores, deliciosa para um descanso (detalhe: há sinal Wi-Fi gratuito nela). Os sorvetes maravilhosos também me chamaram a atenção, em especial os da Babalu Heladeria. Mas tem que experimentar um dos sabores tradicionais – hoja de coca (folha de coca), algarrobo (alfarroba), rica-rica (erva medicinal),ayrampo (cacto) e quinoa (ou quinua). Os sabores são únicos e a textura é incrível. Vale muuuuito a pena, mesmo o preço sendo um pouco salgadinho!

A pequenina e simpática Igreja de San Pedro, que também fica na praça central da cidade.

A pequenina e simpática Igreja de San Pedro, que também fica na praça central da cidade.

*dica: vale a pena se programar com antecedência em relação aos passeios que são oferecidos, para otimizar o seu tempo. Eu já tinha em mente o que queria conhecer, e sabia que o primeiro passeio seria no mesmo dia da chegada. Por isso, fui rápida em escolher uma agência (não recomendo alugar carro e se aventurar por conta). Há inúmeras agências, vale a pena dar uma procurada quando chegar no local. Fui pela Flamingo Travel Agency. Preço justo pelo que foi oferecido.

Hostal Miskanty

Hostal Miskanty

Café da manhã do Hostal Miskanty

Café da manhã do Hostal Miskanty

Day 1 – Vale de La Luna

É geralmente o primeiro passeio oferecido pela maioria das agências, já que começa no fim da tarde (às 16h) e não tem variação de altitude. O local, localizado a apenas 19 km de San Pedro, é um verdadeiro espetáculo geológico, lembrando paisagens lunares. A vista é surreal e o pôr do sol maravilhoso.
Uma curiosidade é que a ausência de vida animal e vegetal neste grande planalto transforma a paisagem em um dos locais mais inóspitos das Américas.

Para contemplar o pôr do sol no melhor estilo, foi oferecida ainda uma taça de pisco sour (coquetel típico da gastronomia sul-americana, especialmente Peru e Chile, preparado com pisco, sumo de limão, pimenta e clara de ovo) – tornando o meu primeiro dia no deserto ainda mais gostoso.

Las Salinas - Vale de La Luna

Las Salinas – Vale de La Luna

O Anfiteatro

O Anfiteatro

Início do pôr do sol

Início do pôr do sol

Mais uma do belíssimo entardecer

Mais uma do belíssimo entardecer

Tour Astronômico – para fechar o dia com chave de ouro

O céu do Atacama é definitivamente um dos mais lindos do mundo. A altitude elevada somada à aridez, baixa umidade e pouca luminosidade artificial presentes no local contribuem para que, mesmo a olho nu, possamos visualizar um céu estrelado maravilhoso.

Aproveitando-se disso, existe alguns tours de observação. Fui pelo Atacama Desert Stargazing Tour. Na verdade, era o qual a agência escolhida por mim oferecia. Nos encontramos às 20h na Caracoles e de lá fomos de van até o local (cerca de 15 minutos, é pertinho). O valor foi algo em torno de 18 mil pesos e o tempo de duração é de aproximadamente 1h30min.

A experiência é única, sem dúvidas. De telescópio em telescópio, observamos estrelas, nuvens de poeira, gás e planetas, invisíveis a olho nu. Vi Saturno e Marte, todo o solo lunar, além de várias estrelas. Lembrança pra vida toda!

Tour Astronônico

Tour Astronônico

Day 2 – Piedras rojas + Lagunas altiplanicas + Salar de Atacama – eleito o meu preferido

Meu dia preferido no deserto do Atacama. O tour é longo, começa por volta das 07h e termina perto das 17h. A amplitude térmica é a mais relevante entre todos os dias também, já que o dia começou muito frio e terminou escaldante. Os pontos explorados são:

• Piedras Rojas
• Laguna Minique
• Laguna Miscanti
• Salar de Atacama
• Laguna Chaxa

Me encantei logo na primeira parada (Piedras Rojas), apesar do frio cortante de zero grau. Graças a uma brasileira que eu encontrei no dia anterior, fui muuuito bem agasalhada, o que me permitiu curtir os passeios matutinos de maneira mais tranquila.

Outra coisa que deixavam os passeios ainda mais encantadores, eram os cafés da manhã servidos em meio aos cenários exuberantes do Atacama. A maioria das agências monta uma mesinha com café, leite, chás, pães e bolos para os turistas se deliciarem no friozinho da manhã (vale lembrar que os passeios são distantes da cidade, por isso, começam bem cedo – muitas vezes, antes mesmo do horário do café da manhã de alguns hotéis.

Laguna Miscanti

Laguna Miscanti

Vicunhas na Laguna Miñiques

Vicunhas na Laguna Miñiques

Vulcão Licancabur

Vulcão Licancabur

As fofas e adoradas lhamas

As fofas e adoradas lhamas

Day 3 – Salar de Tara – imperdível

Localizado a aproximadamente 140 quilômetros de São Pedro do Atacama, a uma altitude de 4.400 metros (um dos passeios mais distante e mais alto entre todos os roteiros), o deslumbrante Salar de Tara, um dos mais procurados também, reserva paisagens inimagináveis.

Ao longo do dia, é possível encontrar cânions, formações naturais rochosas gigante , muita terra, vulcão, vegetação rasteira, flamingos, vicunãs e lhamas. As diferentes tonalidades da natureza formam verdadeiras telas de pintura, só que reais. Onde quer que você aponte a câmera e clique, pode apostar que sai uma foto exuberante.

O Salar de Tara fica na Reserva Nacional Los Flamencos, localizado muito perto da fronteira com a Bolívia e a Argentina, cerca de 10 km (é muito perto meeesmo). Vale lembrar ainda que nesse passeio não há banheiros, tem que “hacer en la naturaleza”, como eles dizem. E ah, se agasalhe bem, pois o frio marca presença!

Eu e minha mãe devidamente vestidas,  é muito importante ir com roupas próprias para esse tipo de passeio.

Eu e minha mãe devidamente vestidas, é muito importante ir com roupas próprias para esse tipo de passeio.

chile1480617179317917a41fac4f6b74937654b34b697afoto-26

Day 4 – Geysers del Tatio (05h – 12h) e Laguna Cejar (16h-20h)

Se prepare. O passeio rumo aos famosos Geysers del Tatio, a 90 quilômetros ao norte de San Pedro de Atacama (aprox. 2h), a cerca de 4.320 metros de altitude, começa cedo e é frio. Beeeem cedo e beeem frio. Às 05h da manhã a van nos pegou em nosso hostal. Dizem que algumas agências saem até antes, perto das 4h da matina. Ah, este é o 3° maior parque de gêiseres do mundo (o 1º maior está no Yellowstone, EUA, e o 2º maior na Finlândia).

Ao chegarmos, a sensação térmica era próxima de -10 ºC. Portanto, agasalhe-se muito bem. O passeio começa cedo por um motivo: o curioso fenômeno ocorre apenas durante o início da manhã, antes mesmo do sr. Sol dar as caras. Isso porque o vapor de água (que mais parece gelo seco) se forma devido ao aquecimento da água de rios subterrâneos, que atravessam uma cordilheira próxima, e ao chegarem naquela região, entram em contato com rochas quentes abaixo do solo, que aquecem essa água até ela chegar ao seu ponto de ebulição. E aí que a água atinge uma alta pressão e escapa de forma violenta ao ar.

Os jatos de vapor e água fervendo que saem dos geisers podem alcançar 90°C e até 20 metros de altura. E ah, para que consigamos enxergar o vapor, necessária a baixa temperatura da manhã. Tanto que, perto das 9h, já vemos uma quantidade muito menor de vapor.

Laguna Cejar

Apesar de ser um lugar muito bonito, um passeio leve e próximo a cidade de São Pedro, o valor de entrada do parque é alto e é mais pra quem tá afim de banhar-se, mesmo. Dentre todos, foi o que eu não ficaria tão chateada se não tivesse incluído em meu roteiro. Confesso que não me senti muito confortável pra entrar no “mar chileno”, seja pela temperatura da água (tocando com os pés achei fria), não saber se aquilo era tão limpo assim etc. Mas muita gente aproveita pra nadar na água salgada, aliás, tão tão salgada que você não consegue afundar seu corpo – já que 80% de sua composição é sal.

Ah! Caso a curiosidade fale mais alto e você sinta vontade de entrar, fique sossegado, já que o local conta com banheiros e chuveiros para lavar o corpo com água doce.

Mas o que eu gostei meeesmo foi o momento do pôr do sol. Nesse momento, as agências costumam oferecer drinks e petiscos. E você fica ali, só observando esse espetáculo da natureza – realmente algo impagável.

  • Compartilhe
Por Iara Bossolan
Iara Bossolan, 26 anos é apaixonada por escrever e viajar, busca trabalhar com as duas paixões ao mesmo tempo. Formada em Turismo pela Universidade Federal de São Carlos e em Jornalismo pelo SENAC, possui vasta experiência no trade turístico, tendo trabalho em importantes instituições como CVC Viagens, São Paulo Convention & Visitors Bureau, Visite São Paulo, Hatsur Comunicação e atualmente, é redatora em uma agência de comunicação 360° que também atende clientes da área.
    01.12.2016
    Nenhum Comentário